quinta-feira, 30 de outubro de 2008


“Existe (a felicidade), sim;
mas nós não a alcançamos.
Porque está sempre apenas onde a pomos,
E nunca a pomos onde nós estamos”

(Vicente de Carvalho - Poemas e Canções)


Nós.
Pronome pessoal. Mais exatamente, da primeira pessoa do plural, de ambos os gêneros.
É assim que Aurélio vê essas três letrinhas reunidas. Porém eu, portadora de um cérebro menos evoluído que o dele, as vejo como uma contradição constante.
Nós.
No começo significava, eu querendo alguém, para dividir sonhos, sorrisos e cervejas.
E quando alguém se apresenta para o cargo, eu tento mantê-lo o mais longe possível.
É como se eu quisesse tanto, que imaginava improvável estar tão perto, e tão fácil.
E sendo assim eu me fecho, desconfio, e penso que não é, que não pode ser você.
Afinal meu alguém, sempre teve cabelo loiro, um ar de serenidade nos olhos claros, e no mínimo 1,85 de altura (requisito essencial).
Eis que surge você, cabelo escuro, agitação de criança hiperativa nos olhos cor de jabuticaba, com míseros 1,74 de altura, o oposto do meu alguém.
No fundo, eu nem ligo pra isso. Foi só mais um artifício para tentar provar pra mim mesma que não é, que não pode ser você.
Prefiro pensar assim, e continuar alimentando a esperança magrinha que tenho aqui dentro, do que admitir que eu e você poderíamos ser, nós.
Então discuto por qualquer coisa, sou grossa, e te empurro pra fora da minha vida, é minha vida poxa! Eu tenho esse direito!
E nessa hora entro em contato com um egoísmo gigantesco, existente dentro de mim.
No qual me aprisiono em uma bolha transparente, onde você pode me observar, mas não tem o direito de me invadir.
Sou sempre assim, até tentei mudar com calma, frustradamente. Afinal não há como se lutar contra o que naturalmente se é.
Dessa forma, deixo comprovado que não consigo ser nós, só sei ser eu, e forçando uma tentativa, acabaria te transformando em outro de mim.
Mas você não merece isso.



Ps: Você ainda tem sonhos, sorrisos e cervejas, basta encontrar alguém que saiba pluralizar os atos, porque infelizmente eu só sei dividi-los. Não sei sonhar para nós dois, nem sorrir por nós dois, mas se quiser uma cerveja, eu posso dividir a minha!

Nenhum comentário: