segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dog Freud

*Ao som de:
Ali - Skank



Feriado. A família viaja, busca sossego. Eu permaneço.
De sossego já estou farta, não suporto mais senti-lo.
Não vou negar que sou uma pseudo-velha, principalmente nas noites de inverno, mas a jovenzinha trouxa que existe em mim, ainda grita me fazendo entender, que por mais que eu a tente matar diariamente com doses bombásticas de seriedade e racionalidade, ela não morrerá.
Não é hora dela partir, e por isso tudo que é ilusório a desperta em mim, me fazendo mais sensível que o normal, mais chata que o normal e mais tagarela, bem mais tagarela que o normal.
Coisa de jovenzinha trouxa mesmo, que perde semanas falando do carinha novo que conheceu, do amor antigo que não curou, do porre gigantesco que tomou, para tentar aliviar dores minúsculas que vistas do penhasco em que eu as coloco, parecem monstruosamente grandes.
Aliás, esse negócio de beber para curar dores, é pura desculpinha de mulher racional que não assumi que bebe por diversão, pra que a trouxinha se liberte e arrume complexos existênciais e amorosos que ocupem seus dias cinzas de mulher séria, os ouvidos das amigas queridas, e o scrap boock das mesmas.
E nesse momento me sinto grata, por ter a sorte de ter encontrado-as. E não preciso citar nomes para saber quem são, afinal, elas se encaixam nos mesmos problemas que eu, talvez com menos intensidade, menos loucura e menos expressão externa, mas ainda assim os mesmos problemas.
Feriado. A família viaja, busca sossego. Eu permaneço.
De sossego já estou farta, não suporto mais senti-lo.
Nem eu, nem o cachorro que me acompanha todos os dias.E digo que hoje ele se sente bem mais feliz, por eu ter encontrado as já citadas e recitadas amigas, assim ele se livra do martírio diário de me ouvir incessantemente.



*Nota da autora: meu cachorro é quase Freud, todos o consideram louco, mas eu nem ligo.

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